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Miúda Singular

Miúda Singular

Dom | 15.11.20

Denunciei. E agora?

A Miúda

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Fonte: Pixabay

 

     Há uns dias vi uma publicação, já não me lembro onde, que dizia que as pessoas hoje em dia, em especial as gerações mais novas, tratam os animais como se fossem seus filhos. Alguém comentava que, ao contrário do que acontece com as gerações mais velhas, que olham para os animais como objetos e seres sem valor, que apenas existem para servir as nossas necessidades, os mais novos olham para eles como seres vivos capazes de, tal como nós, sentir dor, alegria ou tristeza. 

     Já me cruzei com algumas situações menos agradáveis, de pessoas que adotavam ou criavam cães, não porque realmente gostavam dos animais, mas porque é "bonito" ter um em casa. Muitas vezes estes animais eram negligenciados e não recebiam os cuidados básicos. 

 

     Lei nº8/2017

     No ano de 2017, os animais ganharam estatuto jurídico. Ou seja, passou a haver uma lei que tinha como objetivo protegê-los. Mas haver uma lei não chega. As pessoas têm e devem fazer a sua parte, seja falar com os donos ou, em casos mais sérios, denunciar a situação às autoridades. 

 

     Caso de negligência

     A que vem isto a propósito? Bem, há pouco tempo voltei-me a cruzar com uma situação de um animal em claro estado de negligência. Os donos não se preocupavam com ele, mal o alimentavam e não lhe davam condições de higiene. Segundo a tal lei que saiu em 2017: "O proprietário de um animal deve assegurar o seu bem estar (...)", o que inclui "a) a garantia de acesso a água e alimentação de acordo com as necessidades da espécie em questão; b) a garantia de acesso a cuidados médico-veterinários sempre que justificado, incluindo as medidas profiláticas, de identificação e de vacinação previstas na lei"

     O animal em questão, para além da situação da alimentação e higiene, não tinha quaisquer vacinas. Sim, eu percebo que nem todas as famílias têm condições para levar os animais ao veterinário. Mas não era o caso. Além disso, o que é que aconteceria se o animal, sem ser vacinado, atacasse alguém? Que doenças é que poderiam ser transmitidas? 

     Enfim, tudo isto para dizer que denunciei o caso às autoridades e pedi-lhes que fossem averiguar a situação. Na altura, senti-me do género: "Fiz a coisa certa, os donos não querem saber dele, pode ser que o animal tenha mais sorte a partir de agora". Quando soube que as autoridades tinham ido ver do caso, comecei a ter dúvidas sobre se tinha feito ou não o mais correto. Uma coisa é certa, o que não é correto é a forma como aquele animal estava a ser tratado. Não sei como é que ele está agora, sei que já tem todas as vacinas, mas espero que a visita da polícia tenha servido para os donos repensarem a forma como o estavam a tratar.

     Se souberem de situações do género, em que algum animal não é bem tratado, seja por negligência, agressões ou abandono, façam queixa! Eles não têm como se fazer ouvir, mas nós temos. Temos uma voz que devemos usar para ajudar aqueles que não a têm. E ao fazê-lo podem estar a salvar uma vida. Não tenham medo, podem pedir para manter o anonimato

 

     O que fazer para denunciar maus tratos a um animal

     Podem fazê-lo presencialmente, na esquadra da polícia ou falar diretamente com um veterinário e pedir ajuda, ou podem enviar um email a descrever o caso, com a morada exata e com informações sobre o(s) criminoso(s) e enviem imagens ou vídeos se os tiverem, que ajudem a comprovar o caso (se não tiverem, refiram isso no email). Podem pedir para manter o anonimato, se assim o preferirem. O email deve ser enviado para os contactos abaixo, todos ao mesmo tempo:

  • PSP - defesa animal: defesanimal@psp.pt
  • GNR - SEPNA: sepna@gnr.pt
  • Vereador da Câmara Municipal - Pelouro da Veterinária
  • Veterinário Municipal/Centro de Recolha Oficial do Município
  • Junta de freguesia

     Os últimos 3 contactos estarão na página da vossa Câmara Municipal. No caso da minha, não existe o pelouro da veterinária, centro de recolha oficial, nem consegui encontrar o contacto do veterinário municipal. Nesse caso, enviei o email para o serviço de atendimento da câmara.

 

     Sejam responsáveis

     Ter um animal em casa implica muitas responsabilidades. É preciso alimentá-lo, limpar o seu espaço, garantir que recebe cuidados médicos e, muito importante, é preciso dar-lhe atenção e carinho. Não adotem nenhum animal se não querem ter esta responsabilidade, nem se não tiverem capacidades ou tempo para garantir o bem estar dele. Um animal não é um objeto mas sim um ser vivo capaz, tal como nós humanos, de sentir. Quando acolhem um animal, ganham um amigo para a vida toda, que vos irá oferecer muito amor, provavelmente do mais puro que existe. Lembrem-se de lhes dar também algo em troca. E por favor: não comprem um animal; e se se fartarem dele, não o abandonem, entreguem-no num local apropriado (veterinário ou centro de recolha). Acima de tudo, sejam conscientes!

 

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